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O cordão vermelho de Raabe: objeto comum, significado eterno

Um dos símbolos mais conhecidos da história de Raabe é o cordão vermelho pendurado em sua janela. Mas uma pergunta raramente feita é: era comum ter algo assim em casa naquela época? A resposta nos ajuda a entender como Deus age ao longo da história bíblica.

O que exatamente era o cordão vermelho?

O texto hebraico de Josué 2:18 usa a expressão “tiqvat ḥût hashani”, que significa literalmente “fio ou corda escarlate”. Não era um objeto religioso, nem algo raro ou exclusivo. Tratava-se de um fio de lã ou linho tingido de vermelho, algo perfeitamente comum em contextos domésticos.

O vermelho, naquela época, era uma cor bastante utilizada. Embora o corante fosse mais caro do que tons naturais, ele era amplamente empregado em tecidos, adornos e sinalizações — especialmente em cidades comerciais como Jericó.

O vermelho nas casas do muro

Casas ligadas à hospedagem ou à prostituição frequentemente usavam cores chamativas como forma de identificação. Um pano, fio ou tecido pendurado à janela funcionava como um marcador visual. Portanto, o cordão vermelho na casa de Raabe não chamaria atenção dos moradores da cidade. Ele não denunciava fé, apenas indicava uma casa comum no muro.

E é exatamente aqui que a teologia bíblica se revela com força.

Deus transforma o comum em sinal de salvação

O cordão vermelho não tinha poder em si. O poder estava na promessa associada a ele e na fé obediente de Raabe. Deus escolhe um objeto comum para torná-lo um sinal extraordinário.

Isso acontece diversas vezes na Bíblia:

  • Sangue nos umbrais no Êxodo
  • A serpente de bronze no deserto
  • O barro nos olhos do cego

Deus não depende de objetos sagrados, mas de corações que confiam.

“Tiqvah”: corda e esperança

Um detalhe ainda mais profundo está na palavra hebraica tiqvah, que significa tanto corda quanto esperança. Ao pendurar o cordão, Raabe estava, simbolicamente, pendurando sua esperança do lado de fora da cidade que estava prestes a ser julgada.

O que antes poderia marcar sua marginalização passou a marcar sua salvação.

👉 A fé verdadeira não cria símbolos novos; ela ressignifica o que já existe.

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